domingo, 4 de outubro de 2009

"A Rainha Sol" - dica de desenho.

Há cerca de duas semanas encontrei numa cesta de dvd em promoção da Lojas Americanas do Shopping Lapa (moro em Salvador) esse desenho, "A Rainha Sol". Confesso que a capa me chamou atenção, por retratar egípcios com a tez escura, apesar dos olhos azuis. De qualquer modo, faz um bom contraponto a Cleópatra vivida com Liz Taylor.
Bem, resolvi arriscar e comprar, afinal, custou apenas R$6,00.
O desenho é baseado no livro de mesmo nome, mas acredito que retrate apenas uma parte da história. Mesmo assim, achei muito interessante e levarei para meus alunos assistirem, com certeza!
Além de ser realmente divertido, retrata alguns aspectos arquitetônicos, comportamental, religioso e geográfico do Antigo Egito. Juntamente com outras obras, como o encantador Kiriku e a Feiticeira, serve para demonstrar a diversidade cultural da Africa, tantas vezes retratadas de modo homogênico.
Mas os olhos azuis do Faraó e da princesa... Tsc, tsc!
Nada poderia preparar a jovem Akhesa para reinar o povo do Egito, a não ser um estranho rapaz chamado Tutankhamon. Sem perceber, ela entra num corajoso jogo à procura de sua mãe, Nefertiti, nesta longa jornada que a levará ao maior dos poderes, o trono do Egito. Perseguidos pelos inimigos do Faraó, os dois adolescentes enfrentarão milhares de perigos, despistando a morte em uma difícil viagem, na qual cruzarão o deserto e tentarão não serem capturados pelo terrível Zannanza. Em uma aventura repleta de testes e aprovações, Akhesa e Tutankhamon se arriscarão, com inocência total, rumo ao único destino que os unirá para sempre.
Título Original: The Princess of the Sun
Tempo: 74 minutos
Ano de Lançamento: 2007
Direção: PHILIPPE LECLERC
Recomendação: livre
País de Orígem: Bélgica / França / Hungria

Fonte: Submarino

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

3 meses

Ao sairmos da sala de professores, ouvi:
"Relaxe, colega! Hoje é 18 de setembro, só faltam 3 meses prás férias. Isso que importa!"
Alguma coisa me incomodou nessa fala.

Sim, eu amo minhas férias! Eu as aproveito da melhor forma que posso! Viajo, saio, durmo... uma maravilha!

Mas, não posso colocar meu foco, agora, nas próximas férias! Não pode ser "isso que importa"... O foco, mais que nunca, tem que está nos alunos e nas aulas.

É tempo de procurar (novas) estratégias prá ajudar aqueles alunos que ainda não avançaram todo o seu potencial. É tempo de organizar a exposição da Mostra Pedagógica. É tempo de planejar as próximas ações.

Antes das férias, ainda teremos: bazar, dia do idoso, dia das crianças, dia da leitura da família na escola, mês da consciência negra, eleição de gestores... Muitas datas importantes! Muitas ações importantes para serem desenvolvidas!

Se eu colocar meu foco na contagem regressiva prás férias, será que terei o mesmo entusiasmo e comprometimento até o encerramento do ano letivo?

domingo, 7 de dezembro de 2008

Amostra pedagógica da CR Cabula - Salvador

Sexta passada ocorreu a Amostra Pedagógica da CR Cabula (SMEC-Salvador). Eu fiquei muito encantada com vários trabalhos que vi e não resistir de sacar meu celular e sair tirando foto.
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Um conhecido perguntou:
- Vai plagiar, é?
- Não! Vou me inspirar!
E realmente esse é o objetivo: apartir das idéias das colegas de outras escolas, adaptar e criar atividades interessantes, lúdicas e pedagógicas prá meus alunos.
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Uma colega de escola me disse:
- Mas eles fazem isso tudo porque têm professores de arte.
Tudo bem! Nós não temos em nossa escola e por isso muitas vezes acabamos fazendo aqueles mesmos trabalhos de sempre... Mas isso não pode ser motivo prá cruzarmos os braços! Já que não temos, nós mesmo temos que ser, tentando ao máximo vencer nossas limitações. Mas ao mesmo tempo lutar que tenha um professor de arte também. E de teatro. E de dança...
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Além disso, acho importante essas amostras prá divulgar o que fazemos em nossas escolas. Se não for oportunizada essas situações, nossas práticas ficarão na sala... e só lá! Quantas coisas boas fazemos, né? E se não houver o registro, nós mesmos esquecemos. O registro é bom prá depois de um tempo, a gente rever essas atividades e melhora-las.
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Por isso há cerca de um ano criei um pequeno site prá escola que trabalho no diurno. Na verdade, foi muito fácil, por que nada mais é que um blog mais incrementado, já que se pode postar fotos, vídeos, textos, músicas e eventos em seções diferentes do site. E é de graça! Quem quiser conhecer, o site/blog da escola onde trabalho é: http://manoelfrancisco.multiply.com/
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Eu incentivo todas as colegas a criarem um, seja no multiply, no blogger ou outros. Temos que compartilhar experiências e idéias, não é mesmo? Acredito que nós educadoras e educadores temos que fazer um grande grupo de debate, diálogo e troca de experiências e idéias!
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Bem, ai vão algumas fotos da Amostra. Todas as 69 fotos e vídeos de algumas apresentações estão postadas no meu multiply: http://lasanhadeabobrinha.multiply.com/photos/album/44/44
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Portfólios dos projetos realizados, com atividades dos alunos.
Cobra feita com garrafas pet.

Esculturas egípcias feitas de argila.
Porta-copos e porta-trecos feito com palitos de fósforo.

Moisaco

Roupa de jornal.

Máscaras feitas com jornal e bexiga e trabalhos com argilas.

Livrinhos de biografias feitos pelos alunos.

Carrancas com garrafas pet.

Máscaras e bonecas.

Girafas com rolos de papel higiênico.

Máscaras feitas com jornal e bexiga e enfeitadas com palha.

Órgãos do corpo humano feitos com máscara caseira.

Casinha e cesta feitas com rolinhos de jornal.


Globo terrestre feito com jornal e bexiga.

Mapa da África feita com papel duplex e retalhos coloridos de tecido.

Corredor onde os trabalhos estavam expostos.
Beijos,
Vanessa
(p.s. Eu detesto quando o blogger desconfigura todo o meu post!)

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Dica - 200 dias de leitura e escrita na escola

Foi em uma reunião pedagógica que tive minha atenção atraida por um livro que minha colega trazia. Cansada de tantos livros teóricos sobre alfabetização, ter em mãos um livro com tantas atividades práticas foi um alento.
Logo, comprei meu exemplar, que por acaso não é caro. O livro é dividido em temas como: família, casa, escola, ... e traz atividades simples, mas muito criativas. Já apliquei várias, inclusive na turma que atuo de EJA, com adequações.
Para uma professora, como eu, que não tem muita experiência, esse livro pode ser um material que muito pode auxiliar.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Dica - Estante Virtual


Não me lembro como eu conheci o Portal da Estante Virtual. Deve ter sido através de algum e-mail ou dica de outro site. Mas confesso que se tornou, muitas vezes, a salvação de minha lavoura. Minha e de minha mãe, diga-se de passagem.

Como diz o flyer acima, no Estante Virtual se entra em contato direto com o acervo de + de 700 sebos de todo Brasil. (E se precisar travar contato íntimo com os ácaros e a poeira de alguns sebos que conheci "pessoalmente". Meu aparelho respiratório agradece!) Ainda não teve um título sequer que eu tenha pesquisado e não encontrado. E muitas vezes, com opções de sebos diferentes, onde é possível comparar preços e as condições físicas do livro. Mas não há apenas títulos antigos, não! É possível encontrar livros lançados há pouco tempo e em ótimas condições.

Geralmente o procedimento é o seguinte: Depois de escolher o livro e o sebo, pelo próprio site você encomenda e fica esperando o contato por e-mail do sebo, confirmando se o livro está disponível e a C/C para depósito. Após o depósito e envio por fax ou e-mail do comprovante, é aguardar.

Nós, aqui em casa, já pedimos cerca de 6 livros pelo Estante Virtual, em sebos de diferentes estados. E não houveram decepções. Muito pelo contrário! Pelo menos 2 desses livrops eram nitidamente novos, ou seja, não eram usados.

Claro que não abandonei o hábito de circular pelas livrarias daqui, e até comprar nelas. É uma delícias explorar as estantes bem reais na minha frente. Mas, muitas vezes eu não me contento só de olhar e o preço de alguns livros novos realmente assustam, então o jeito é recorrer ao Estante Virtual.
O link está do site está AQUI.
Espero que gostem e que seja útil para vocês!




quarta-feira, 2 de julho de 2008

Professoras no MSN.

Há muitos blogs focados nas aulas, em atividades escolares, os projetos realizados e etc. E é muito válido, pois servem para a troca de experiências e idéias. Inclusive, na parte de links poderão ser encontrados alguns desses blogs.

Mas o “Papo de Professora” foi criado para falar sobre o(a) professor(a) que atuam em classes de séries iniciais, sobretudo em escolas públicas. Na ótica desses profissionais. Esse blog também foi criado pelo cansaço de ouvir que a culpa de uma criança não se alfabetizar é unicamente da professora. Como se houvessem todas as condições (humanos, materiais, temporais e estruturais) para que o processo ocorra da melhor forma possível, inclusive nas casas das crianças.

Por enquanto, as autoras desse blog são Anne e Vanessa. Conheceram-se através de uma comunidade do Orkut e logo travaram grande amizade, apesar da distância. Anne mora em Maceió e Vanessa em Salvador. Nunca se encontraram pessoalmente, mas se encontram regularmente pelo MSN. Abaixo, estão trechos de uma conversa real ocorrida na noite de 01/07/08. Como não podia deixar de ocorrer com duas professoras, o tema acabou sendo o trabalho. Mas especificamente os vários sentimentos que

Alguns trechos foram omitidos (por não se encaixarem no contexto) e outros reorganizados (para melhor compreensão) no “papo” entre as professoras:

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Anne diz:
Fico meio p*** da vida, sabe? Todas as outras profissões a pessoa vai pra casa e tem o mínimo de trabalho. Ou pelo menos, ganha muito melhor, se vierem falar do povo da área da justiça.


Vanessa diz:
Escreve sobre isso no blog! É um absurdo mesmo!

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Anne diz:
Olha, estou adorando trabalhar com a alfa (1º ano) porque são menos alunos. Consigo ir à cadeira de cada um e ver de perto como eles estão. Eles avançam muito mais

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Anne diz:
As coordenadoras se ofendem quando eu falo que às vezes me sinto perdida. Acham que é uma crítica ao trabalho delas, você crê?

Vanessa diz:
É porque, talvez, elas se sintam às vezes perdidas também!

Anne diz:
Deve ser isso sim!

Vanessa diz:
Suas coordenadoras têm experiência prática com alfabetização de escola pública?

Anne diz:
Sinceramente? Acho que mão na massa mesmo, não!

Vanessa diz:
Então, como elas poderão te ajudar? Porque a teoria deve ser só uns 15 % da parada!

Anne diz:
Vou chamar o Chapolim Colorado

Vanessa diz:
Calma, Anne!

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Anne diz:
Sabe, fico pegando livros didáticos pra pesquisar. Porque na faculdade tem muita teoria, mas pra vida real é "difirci". Eu me fico angustiada porque jamais conseguiria pegar uma cartilha pra trabalhar as benditas famílias. Estou fazendo tudo com "intuição"

Vanessa diz:
Esses quatro anos de alfabetização me tiraram vários preconceitos, inclusive com as famílias silábicas.

Anne diz:
Não jogo elas no mato, não. Mas o que eu digo é que eu não faria o percurso que foi feito comigo de trabalhar as vogais, as consoantes, as famílias simples, as complexas, entende? Com pseudo - textos.
Tipo, quando um aluno não sabe escrever "fada", mas chama-se Danilo me refiro ao DA do nome dele. Vai escrever dedo? D+A= DA e D+E? Entende?

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Anne diz:
Algumas coisas que li nesse meu recesso forçado me fizeram ficar mais tolerante com os meninos e isso está me ajudando muito.
Mas olha, se a escola definisse o que realmente é fundamental para o aluno aprender em cada série já me deixaria mais "pé no chão".

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Anne diz:
Eu estou em busca do melhor para os meus alunos. Fico encantada quando os vejo avançando, mas me sinto como se estivesse faltando algo. Sempre trabalhei com alunos alfabetizados em escola particular e é bem diferente.

Vanessa diz:
Esqueça a escola particular e nem compare os alunos de lá com os de cá.

Anne diz:
Nem é comparação entre os alunos. É da minha postura mesmo, ou, pelo menos, do meu domínio da situação, sabe?
"Dá-me luz, ó Deus do tempo"¹

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Anne diz:
Não acho que o resultado dos meninos está mal não, sabe?

Vanessa Lee diz:
Qual é a sua maior dificuldade?

Anne diz:
É saber exatamente até onde preciso ir com eles e o que preciso fazer pra ajudá-los a avançar. Por exemplo, se um aluno ainda não conhece as letras (nomes delas, como escrevê-las), como ajudar a criança a avançar? E, O PIOR, como ajudar essa criança numa turma onde alguns já lêem com fluência e escrevem com letra cursiva? Como não desmotivar uma sem esquecer a outra? Nó cego!

Vanessa Lee diz:
Trabalho diversificado. Eu tenho ainda muita dificuldade em fazer trabalho diversificado, mas o jeito é encarar!

Anne diz:
Eu estou optando por trabalhar uma mesma atividade com abordagens diferentes, quando dá. Na atividade de hoje tinha um caça palavras e um espaço para as crianças escreverem os nomes de umas personagens. Um quadrinho para cada letra, como se fosse cruzadinha. Foi muito bom! Algumas crianças estão começando a perceber detalhes sobre a escrita que elas não percebiam como, por exemplo, que a ordem das letras é importante.

Vanessa diz:
Acho que essa atividade (como um quadrinho para cada letra) só funciona pras crianças que já pelo menos são silábicas. Para as pré-silábicas pode até travar porque o nível é além do nível delas. Acho que uma das coisas que mais causa indisciplina é quando a criança se frustra por não conseguir fazer o dever.
Eu gosto de palavra geradora porque trabalha ao mesmo tempo letras (vogais e consoantes), sílabas e palavras. Assim cada um consegue trabalha no seu nível.

Anne diz:
Tem alunos que sabem ler e escrever, alunos que já lêem algumas coisinhas e conhece fonemas e outras que nem sabem o desenho e nomes das letras. Isso sem falar que TODO E QUALQUER MATERIAL IMPRESSO QUE EU LEVO, TENHO QUE BANCAR! A escola não oferece nadica de nada: nem livros, nem coisa nenhuma (só um de alfa que ainda não serve pra maioria, só pra uns três).

Vanessa diz:
Nem mimeografo?

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Anne diz:
Mas as professoras da terceira série vivem me tesourando.

Vanessa diz:
Todo mundo quer receber o aluno já pós-graduado!

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Anne diz:
Sabe Van, é muuuuuito mais fácil encher um quadro com decoreba. Mas não admito isso, não faço, não aceito!

Vanessa diz:
Mas o objetivo é a-l-f-a-b-e-t-i-z-a-r, ou seja, tornar os alunos alfabéticos!


Anne diz:
Pois é!!!!! E para os que já escrevem e lêem potencializarem suas habilidades.

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Anne diz:
Quando vou ler, estudar, percebo que tem muita coisa que estou fazendo direitinho isso me dá um alívio, sabe?

Vanessa diz:
Isso é bom!

Anne diz:
Mas o problema é que não me sinto segura, firme. Tive uma turma bem difícil o ano passado. Trinta alunos, muitos silábicos (a maioria), poucos alfabéticos. Alguns até pré-silábicos. Todos avançaram e muito! Era uma terceira série com alunos de 8 a 14 anos!!! Os que seriam reprovados, mas foram aprovados graças a progressão automática saíram, no mínimo, silábico alfabéticos. Fiquei muito feliz!

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Vanessa diz:
Na minha escola a gente acompanha os alunos. Deveria ser assim em todas as escolas, mas não é.

Anne diz:
Eu gostaria de acompanhar só no primeiro ciclo.

Vanessa diz:
Há alunos que está há três anos comigo.

Anne diz:
Eu preferiria acompanhar minha turma, mas como não é a "política" da escola tenho medo de "perder a vaga" na alfa. E não gostaria de ficar com a segunda série (terceiro ano) de alguém irresponsável nos anos anteriores.

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Anne diz:
Mas o que fazer quando o aluno passou por professores irresponsáveis nas duas séries anteriores??

Vanessa diz:
Olhe que as professoras que receberem seus alunos da progressão automática podem achar que a irresponsável é você!

Anne diz:
Isso é!

Vanessa diz:
Muitas vezes não são irresponsáveis. Apenas não conseguem vencer suas dificuldades. Têm zilhões de dúvidas e dificuldade como nós e não acharam ajuda, então... Eu já topei com muita professora acomodada, mas todas no fundo, lááááááááá no fundo querem que seus alunos avancem, seja lá como!
Bem, se você herdar alunos dessas professoras, o jeito será encarar, né? Pelo menos a criança terá a chance de ter outra professora mais comprometida.

Anne diz:
Pois é, mas ainda assim acho que seria muito melhor acompanhar as turmas do 1º ao 3º ano.

Vanessa diz:
Acompanhar ou não acompanhar tem suas vantagens e desvantagens.

Anne diz:
É sim. Eu estou adorando acompanhar os primeiros passos dos meus alunos do 1º ano no mundo das letras. Para alguns é o primeiro contato messsssmo!

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Anne diz:
Sua escola está com a escolarização de 9 anos?

Vanessa diz:
A rede municipal está.

Anne diz:
Na escola do estado estou com a alfa e na do município estou com uma segunda série.²

Vanessa diz:
Antigamente, na rede municipal a criança já entrava na 1º serie. Já nas escolas particulares, depois do grupo1, 2,3,4,5, ainda freqüentam a alfabetização antes da 1º série.

Anne diz:
E lá eles entram na 1ª série ainda, na rede municipal. Eu estou com a segunda série (que será terceiro ano no próximo ano).

Vanessa diz:
Eu estou no 3º ano de escolarização.

Anne diz:
Na escola do Estado, o ensino fundamental já é de nove anos. Lá estou com um primeiro ano e amando. Aprendendo muuuito e enlouquecendo, rs. Mas amando!

Vanessa diz:
Enlouquecendo é o estágio normal!

Anne diz:
E fora que a afetividade deles é uma coisa deliciosa demais! Me sinto acolhida lá.

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Anne diz:
Estou bem mais tolerante, Van. Estou adorando isso em mim. Sabe, antes o meu aluno não podia nada. Era um estresse pra mim e pra ele. Estou aprendendo a negociar. Tipo, coisa simples: eu entrego as fichas dos nomes para quem não sabe o nome ainda escrever nas atividades e ficava neurótica, surtada, porque eles acabavam de usar a ficha e queriam devolver.
Agora eu deixo a bendita caixinha aberta e eles podem levantar e guardar quando terminam. Simples assim!!!! Encontramos o Nirvana. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Vanessa diz:
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Anne diz:
Você ri, né? Mas eu era muito chata. Mais do que ainda sou.

Vanessa diz:
Eu sou chata e assumo!

Anne diz:
Aprendi a ser mais tolerante - pasme - numa comunidade de mães no Orkut. Lendo o depoimento delas, em vez de me colocar no lugar delas fui me colocando no lugar do aluno. E as coisas estão fluindo melhor.
Agora estou assim: quando o aluno não está a fim de aula, fico me perguntando "Por que será? Não deve estar interessante pra ele". Eu estou tentando conquistar os alunos com esse perfil e estou, modestamente, conseguindo!!! Peço ajuda deles, pergunto o que não está bom.

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Anne diz:
Ah, outra coisa: tarefa de casa pra alfa. Só mando duas vezes por semana e atividades que sejam legais, divertidas. O mais importante: que o aluno consiga fazer com o mínimo de intervenções porque se não é pro aluno fazer, pra mim não tem sentido!

Vanessa diz:
Eu também acho!

Anne diz:
Já ouvi muitos alunos dizendo "Tia, minha mãe diz que você só passa tarefa fácil". Às vezes nem é tão fácil, principalmente se o aluno tiver que fazer só, sem adultos por perto. Claro que pro adulto algumas coisas são muito fáceis mesmo. Afinal, se o adulto for alfabetizado, é bobo seguir a trilha das letras em ordem alfabética, né?

Vanessa Lee diz:
É sim!

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Anne diz:
Acho que esse papo daria um post no blog, ashuashuahs

Vanessa diz:
Se quiser, eu copio e colo lá!!!!

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Vanessa Lee diz:
A gente também tem que parar de posar de super- professoras e expor uma coisa que acho que toda professora tem: angústia!

¹ Trecho da música “Horizonte Distante” de Marcelo Camelo, dos Los Hermanos.
² Vanessa é professora em Salvador(BA) e Anne em Maceió(AL), portanto, pertencem a Redes Municipais de Ensino distintas.


terça-feira, 1 de julho de 2008

Órfã de escola.

Não tenho boas lembranças da primeira escola em que fui matriculada, áos 4 anos aproximadamente. Na verdade, só tenho a lembrança de um recreio em que nós, os alunos, estavámos na área externa quando começou a chover. Tentamos entrar na escola de novo, mas, não me lembro porque, não conseguimos e ficamos na chuva. A lembrança seguinte era de alguém com secadores de cabelo muito forte, queimando minha orelha, na tentativa de mascarar para os pais o acontecido. E uma voz dizendo: "A mãe não precisa saber! A chuvinha foi uma bobagem!" Não quis mais ir prá aquela escola e sempre tenho um certo pavorzinho interno quando usam secador de cabelo em mim.
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E eu não queria ir mais prá escola nenhuma! Nunca mais! Chorava, só de ouvir a idéia. E se me deixassem de novo na chuva e depois queimassem minha orelha? Não, não, não. Certos fatos que podem parecer descuidos bobos sem consequência para os adultos, se transformam em fatos muito significativos para as crianças, que se lembrarão pelo resto da vida. Ou será que alguém acha que eu vou esquecer daquela chuva?
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Bem, um dia tive que ir prá escola, senão não estaria aqui escrevendo essa história, né? No caso, a Escola Mundo Infantil. Eu lembro de estar muito relutante, até que a Supervisora (Gildete?) me mostrou a casinha perto do parquinho. E dentro da casinha, tinha uma caminha, uma cadeirinha e uma mesinha. Eu mal ficava em pé dentro da casa, mas definitivamente fui convencida das vantagens de estar naquela escola. Além disso, ela me mostrou um área coberta da área externa. Se chovesse, eu não ia me molhar! Pronto, eu podia ir prá aquela escola!
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Estudei nessa escola por 3 anos, do alfa 2 (hoje, grupo 5) a 1º série. E foi uma delícia! Era um ambiente muito lúdico, com muita música, livrinhos e brinquedos. Minha professora de alfabetização, Pró Glória, tinha uma "irmã gêmea" chamada Pró Abacaxi, prá alegria de toda a escola.
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Haviam vários eventos como teatro de fantoches, passeios e festas. Mas a que acho mais engraçada, hoje em dia, foi uma comemoração do dia dos pais. A escola organizou uma maratona pelas ruas do bairro para os pais. Para cada série do filho, o pai usava uma camisa de cor diferente. Durante a corrida, havia pais sentados no meio-fio, botando os bofes prá fora, pais andando e outros correndo de fato. No fim, todos ganharam de seus filhos uma medalha escrito: "Pai, você é o meu campeão!"
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Áos 8 anos nos mudamos daquele bairro e fui estudar numa das maiores (em espaço físico, provavelmente a maior) e mais conceituadas escolas de Salvador. E mesmo assim, a segunda série me pareceu repetição da primeira série. Minha professora desconfiava que na verdade eu tava repetindo a segunda série, pois segundo ela, eu já sabia tudo antes de ela explicar. É! Muitas vezes não é dado o devido valor às chamadas "escolas de bairro".
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Na Escola Teresa de Lisieux fiquei da 2º a 6º série. Como eu disse, ela era enorme. Na primeira semana me perdi dentro nela, o que não era incomum com os alunos novos nas primeiras semanas. Nela havia desde o prezinho (hoje, grupo 3) à 3º ano do 2º grau (hoje ensino médio). E, por isso, uma estrutura completa com: auditório, biblioteca, laboratório, enfermaria, uma cantina enorme, salas (no plural, mesmo) de arte, 3 quadras, 1 ginásio, 4 parquinhos... Além de Raimundão!
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Raimundão, se não me engano, era o Supervisor de Conduta e tinha uma salinha perto da cantina, inversamente proporcional ao tamanho dele. Ás vezes ele na visitava as salas de aula. Antes sempre vinha um grito, vindo de sabe-se lá onde, de: "Lá vem Raimundão!" Na hora, todos se endiretavam e ficavam caladinhos. Confesso que perto dele eu nem respirava. Acho até que se ele algum dia me desse "Boa tarde!" iria cair dura no chão de tando medo! Medo do que, não sei! Ele reclamava, meio alto é verdade, como todos reclamavam quando alguém fazia algo que não podia. No máximo dava umas suspensões, umas advertências... Mas nada que justificasse o medo de vida que se tinha dele. Um colega da 4º série certa feita disse que tinha mais medo dos castigos de Raimundão do que dos castigos de Deus. Eu não acreditava e portanto não tinha medo de Bicho Papão, Velho do Saco ou de Lobisomem. Mas eu acreditava e tinha medo de Raimundão! Depois soube que na verdade ele é muito educado e gentil.
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A Pró Maria Helena, a diretora, em contra-partida era um doce! Quem não soubesse quem era, acharia que era a avó de alguém, sempre no portão da escola prá receber os alunos. Tanto ela como a Supervisora (assim eram chamadas as coordenadoras) de nossa série, que esqueci agora o nome, quando chegavam adoçavam o ambiente. Além disso, haviam os professores e professoras. Alguns folclóricos, outros não. Mas muitos inesquecíveis!
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Pois, atualmente, nenhuma dessas duas escolas existem mais! Os motivos, não sei bem, mas ao passar por seus prédios fechados, a venda ou numa eterna promessa de se tornar clínica, me sinto órfã. É como se dois parente houvessem falecido. Porque para mim, para minha história, não são apenas prédios, são estruturas vidas! É muito triste ver os locais onde estudei uma parte tão significativa de minha vida se tornar quase que escombros...